Empresário Maurício Sampaio é apontado como
mandante do crime.
Valério Luiz foi morto em julho, ao sair da rádio onde trabalhava, em Goiânia.
Valério Luiz foi morto em julho, ao sair da rádio onde trabalhava, em Goiânia.
(Por G1
GO Goiânia)
| Maurício Sampaio (Ex-dirigente do Atlético-GO) |
O G1 tenta contato com a defesa de Maurício Sampaio. Procurado pela reportagem, o irmão do empresário não quis comentar o assunto.
O ex-vice-presidente do Atlético foi alvo de duras críticas de Valério Luiz. Nos programas de rádio e de televisão dos quais participava, o cronista criticou várias vezes a atuação da diretoria atleticana. As emissoras onde ele trabalhava, inclusive, estavam proibidas de entrar na sede do clube.
| Valério Luiz foi morto a tiros em julho do ano passado (Foto: Reprodução/TV Anhanguera) |
- Nesse momento, ele realmente é o principal suspeito de ser o mandante. E, se for confirmada essa participação, ele irá responder sob prisão provisória até a decisão da Justiça. Não podemos dar mais detalhes para não atrapalhar as investigações - declara o delegado.
Segundo a Polícia Civil, Maurício Sampaio está detido em uma cela especial na Delegacia de Investigação de Homicídios, onde deve prestar esclarecimentos na próxima segunda-feira (4) - enfatiza o delegado Hellyton Carvalho. Em agosto do ano passado, o ex-dirigente do Atlético-GO prestou depoimento sobre o caso e negou relação com o assassinato.
- O depoimento dele acrescentou muito nas investigações. Ele disse que tomou conhecimento do assassinato através da imprensa e que não tinha nenhuma relação com ele. Ele estava tranquilo, calmo, e foi chamado aqui só como testemunha mesmo. Nós o chamamos pelos comentários que o Valério fazia e pela carta que foi endereçada aos veículos onde Valério trabalhava - explicou na época a delegada Adriana Ribeiro.
Execução
O radialista Valério Luiz, de 49 anos, filho do também comentarista esportivo Manoel de Oliveira, conhecido como Mané de Oliveira, foi assassinado, na tarde do dia 5 de julho do ano passado, quando saía da rádio onde trabalhava, na Rua C-38, Setor Serrinha, em Goiânia. Segundo as investigações, uma moto se aproximou e disparou seis tiros contra a vítima.
Valério chegou a ser socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu aos ferimentos e morreu no local. O cronista esportivo faria 50 anos no último mês de dezembro.
Prisões
De acordo com a delegada Flávia Andrade, da Delegacia Investigações de Homicídios, na linha de participação na morte do cronista esportivo estão o executor e o homem que teria contratado o serviço. A terceira pessoa presa na sexta-feira é um policial militar suspeito de atrapalhar as investigações. Detido na Academia da Polícia Militar (PM), durante o depoimento, ele preferiu não se pronunciar.
Na sexta, a polícia não havia divulgado oficialmente o nome do suspeito de encomendar o homicídio.
Com relação ao mandante do crime, a gente tem informação passada pelo açougueiro apenas de que o contratante comentou com ele que o crime havia sido encomendado pelo patrão, porém sem citar nomes - explicou a delegada.
O homem suspeito de contratar o açougueiro a mando do patrão prestou depoimento na sexta e negou participação no crime. Questionado se trabalhava para um ex-dirigente do Atlético-GO, respondeu que não.
À polícia, o suspeito de atirar em Valério Luiz contou que mora na casa do ex-vice-presidente do Atlético-GO, Maurício Sampaio, mas não como funcionário e sim devido a uma relação de amizade. O imóvel, no Setor Serrinha, fica quase em frente à Rádio Jornal 820 AM, onde Valério trabalhava, e próximo à cena do crime.
De acordo com promotor do Ministério Público Paulo Santos, que acompanhou o depoimento, ele não paga aluguel para morar na casa, situada em uma das regiões mais nobres de Goiânia.
Ele cuida das piscinas e disse que tantos os caminhões dele quanto os caminhões do Maurício ficam lá - relatou.
Flávia Andrade confirmou o fato de o preso morar quase em frente à cena do crime.
O suspeito, por ter uma relação íntima de amizade e negociação com Maurício Sampaio, ficava na casa, não pagava aluguel e tomava conta da propriedade - afirmou à delegada.
